Lendo o comentário do Marcelo Almeida eu tive que concordar. Os sentimentos que envolvem o jogo em cada um dos lados são diferentes. Como eu joguei dos dois lados na íntegra, ou seja, sem repartir meu tempo com cada lado, posso dizer que é um pouco sobre esses sentimentos. Com raízes no RPG de mesa, tenho um vínculo emocional com meus personagens e com a história. Talvez por conta disso eu ainda não tenha enjoado do WoW. Sugestão do Marcelo, foi falar um pouco de minha experiência em cada um dos lados.
Eu sou Aliança!
Comecei jogando pela Aliança porque era o certo, era a justiça e era o lado dos elfos. Não existe conto popular que não retrate os elfos como seres puros de coração e ideais. O que eu conhecia do lore eram as histórias do Warcraft 2 e 3. Muito pouco se persarmos na enormidade que é todo o seu conteúdo. Porém, era assim que eu via o jogo. Para mim, a horda era a escória que tinha que ser destruída. O inimigo.
Conforme o jogo avança, suas lutas contra a Horda se intensificam e seu ódio pelo inimigo vai aumentando, você começa a perceber que é quase uma luta solitária. Não é comum outro ally vir ao seu socorro. Não me leve a mal, isso ocorre bastante, mas de uma maneira diferente, quase como uma obrigação. Você ataca o horda porque é sua chance de matar um deles e não porque ele vai matar um ally.
O lore do lado da Aliança é cheio de traição, personagens orgulhosos e conflitos internos que ajudam a aumentar a sensação de isolamento. Aquela pergunta simples, “estou fazendo o certo?”.
O tempo vai passando e seu conhecimento da história aumentando. Nesse período passei a respeitar algumas raças inimigas como os Orcs, os Taurens e os Undead pela sua história. O período que eu joguei na Horda antes de ser ally na Blizz foi em private e nesses servers nada pode ser considerado. Então, ver o que ocorria no lore foi uma descoberta.
Jogar na aliança é mais desafiador.
Pela Horda!
Comecei a jogar junto com um amigo e ele sempre gostou da Horda, mas acabei convencendo a criar um char na Aliança. No ano passado, ele resolveu ir para a Horda e acabei acompanhando. Nem foi para jogar junto, apesar de estarmos na mesma guilda, temos ritmos bem diferentes. Fui pela história da Horda. Eu já via a Horda como os heróis injustiçados, vistos pelo mundo como inimigos sem que sua nobreza apareça.
Quando jogava pela aliança, o pessoal dizia que a horda tinha um trinket (ou anel, não lembro) exclusivo que podia invocar 10 outras players da horda instantaneamente quando eram atacados. E era verdade! Um horda que vê um companheiro sendo atacado não pensa duas vezes em ajudar. Os grupos de heróicas são mais tolerantes com players mais fracos e você lê muito menos inutilidades nos channels das cidades. A horda parece um pouco mais organizada em BG mas nada que desbalanceie.
Jogar na horda conhecendo o seu lore passa uma sensação de “eu sou nobre e ninguém vê isso, então eu preciso provar”.
Quando narro a história do Argalad e sua passagem de night elf para undead, eu reforça esse sentimento. Do abandono ao acolhimento em seu novo mundo.
Jogar na horda é mais amigável.
Conclusão
Existem coisas boas e ruins dos dois lados mas a forma de lidar com elas é um pouco diferente. Talvez os dois lados reflitam o próprio lore criado para eles.
Em uma história recém publicada no Brasil, um grupo de humanos mata um casal de jovens undead simplesmente por serem “corrompidos”. Um poderoso guerreiro, parente de um deles vai em busca de vingança e acaba com a pequena milícia que cometeu o crime mas deixa a melhor punição para o jovem líder responsável pelo ato. No final, vemos esse jovem transformado em undead contando sua história para dois soldados humanos capturados, na esperança que o ódio cego pela horda desapareça.
Esse pequeno conto reflete mais ou menos como os dois lados incorporam seus personagens. Não sei por quanto tempo vou permanecer na horda, até porque tenho vontade de fazer um Worgen, mas cada vez mais fico preso no lore da horda e seus personagens.
Enfim, escolha o lado que mais te agrada e divirtasse. No final, os dois lados tem seus defeitos e suas virtudes.